Sócios exigem eleições e saída de Paixão Júnior

Sócios e funcionários do Progresso Associação Sambizanga exigem a saída imediata do presidente de direcção Paixão Junior, e a prestação de contas dos últimos três mandatos, revelaram, num responsável do clube, ao Jornal de Angola, no Complexo dos “sambilas”, adjacente ao estádio Mário Santiago.

Em declarações à reportagem do JA, Custódio Azevedo, supervisor técnico das modalidades do Progresso Sambizanga há 38 anos, acusa o presidente de não pagar as prestações de segurança social desde 2008, ano que tomou posse, e denuncia a falta de salários há 38 meses.

“O Progresso Sambizanga está desorganizado e falta quase tudo. Não recebemos os ordenados há 38 meses, e desde que Paixão Júnior tomou posse em 2008, sempre nos foi descontado o imposto de segurança social, e esse dinheiro não está nas contas do Instituto Nacional de Segurança Social”, desabafou.

Custódio Azevedo pede a realização da Assembleia-Geral com urgência e a descentralização da direcção. “O clube precisa de realizar a Assembleia-Geral e deixar de centralizar a direcção. Não se entende, como é que num clube com as modalidades de futebol, andebol, atletismo, basquetebol, xadrez e voleibol, apenas o presidente Paixão Júnior e o vice Manuel Dias dos Santos “Kito” reúnem fora do complexo, há três anos, e esse último faz todos os serviços até de motorista! O Progresso tem um refeitório, mas os atletas fazem as refeições em barracas, e o clube acumulou uma dívida avaliada em mais de 650 milhões de kwanzas, só com os funcionários, sem contar os jogadores “, lamentou.

A época desportiva está prestes a começar e nesse momento todos os funcionários estão em casa. Não são traçados os objectivos concretos. O caso está no tribunal há um ano, e os trabalhadores estão à espera do resultado, revelou o técnico.

Um dos sócios do clube, desde a fundação do clube em 1975, Garcia António, revelou ao Jornal de Angola as fontes de receitas da agremiação. “O Progresso tem uma fábrica de chapas de zinco, localizada no município de Viana, que custou cinco milhões de dólares, e um terreno de seis hectares no Benfica, além da escola do primeiro ciclo, comparticipada pelo Estado . O presidente Paixão Júnior prometeu construir um campo olímpico e recebemos de um dirigente angolano, que prefiro não citar o nome, um valor acima dos mil milhões de kwanzas em 2017. Não entendo as razões de falência”,disse.

Outro sócio e fundador da claque do clube, Roger Rodrigues”Animal” revelou que não consegue pagar as quotas desde 2017, porque o vice-presidente para o Futebol, Manuel Dias dos Santos, inviabilizou. “Paguei as quotas até 2016, e há três anos não consigo fazê-lo porque o vice - presidente não deixa, e não sei os motivos”, frisou.

O Recreativo do Libolo pretende pagar a cláusula de contrato de formação do atleta Anderson Semedo “Cuca”, mas ainda não se efectuou o pagamento, porque o vice Manuel Dias dos Santos “Kito” forneceu a conta pessoal, ao invés da do Progresso Sambizanga, segundo Roger Rodrigues.

O treinador das camadas de formação há 30 anos, Filipe Joaquim”Borró”, lamentou o estado actual da equipa. “Esse ano tivemos oito faltas de comparência nos iniciados, por carência de transporte. Comprei equipamento do próprio bolso, avaliado em cinco mil dólares em 2012 e o material desapareceu. Os miúdos saíram uma vez a pé do campo da Força Aérea até ao Complexo do Sambizanga, e um deles, de 13 anos, perdeu-se” , lamentou.

Infra-estruturas com fundos próprios

O presidente do Progresso Sambizanga, Paixão Júnior disse, também ontem, ao Jornal de Angola, em reacção às declarações dos sócios, que todas as infra-estruturas que o clube tem foram construídas com fundos pessoais. “O complexo desportivo, pavilhão e a escola comparticipada foram construídos com o meu dinheiro”, frisou.

Em relação à fábrica de chapas de zinco e o terreno, revelou que foram apenas promessas e estão em projectos. “Temos o espaço em Viana e o terreno no Benfica. Mas, o projecto não deu seguimento e vou terminá-lo com fundos próprios”,esclareceu.

Paixão Júnior descarta a recandidatura e pede aos sócios para apresentarem um candidato à altura. “Não me vou recandidatar para o ciclo 2020/2024. Vou marcar eleições, assim que os sócios apresentarem um candidato à altura para dirigir o Progresso Sambizanga”, sublinhou.
Paixão Júnior acrescentou, ainda, como justificação para a posição quanto às eleições, que os sócios não pagam quotas. “Os sócios não pagam quotas e ainda reclamam pelos direitos”.

 

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