3. ° EE: João Lourenço corrige tiro, mostra humildade e espírito patriótico

Por: Carlos Alberto (Cidadão e Jornalista) O Chefe de Estado João Lourenço decretou ontem, 24, o terceiro Estado de Emergência em Angola, face à pandemia Covid-19, que começa amanhã, 26, até ao dia 10 de Maio de 2020.

A decisão do Presidente da República surge depois da aprovação unânime do Parlamento, que anuiu o prolongamento do regime de excepção, alterando algumas medidas.

Em mensagem dirigida à Nação, João Lourenço justificou que a nova prorrogação do Estado de Emergência visa preservar o bem maior do ser humano: A VIDA.

Da mesma forma que escrevemos a apontar ter havido ilegalidades (inconstitucionalidades) na primeira decretação do Estado de Emergência que saiu do dia 27 de Março de 2020 e na prorrogação do Estado de Emergência que chegou até hoje, 25, pelas razões já invocadas noutras reflexões a este respeito, e por termos sugerido publicamente ao Chefe de Estado o que devia ser alterado para se corrigir o tiro, por uma questão de honestidade intelectual, temos de felicitar o Chefe de Estado João Lourenço, de forma pública, pela mesma via que o criticámos, por ter cumprido o que nós achávamos que devia ter sido feito anteriormente.

Destacamos aqui a humildade do Presidente da República João Lourenço, enquanto Chefe de Estado, ao corrigir um tiro mal dado no segundo Estado de Emergência que terminou hoje, 25, quando o decretou sem aparecer à Nação para legitimar tal acto, tendo ficado mal na fotografia.

Nós escrevemos para alertar o Presidente da República João Lourenço contra a prática ilegal anterior consubstanciada no facto de que não competia ao ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, substituir o Chefe de Estado para dizer à Nação que havia uma prorrogação do Estado de Emergência. Não era/é sua competência e ainda temos dúvidas se devia ser mesmo o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República a explicar as medidas de excepção aos jornalistas. Isso deve ser alvo de outra análise.

A decretação do Estado de Emergência - mesmo sendo prorrogação não deixa de ser uma decretação de EE, no nosso entender, e ainda bem que o Presidente da República João Lourenço compreendeu e concordou com a nossa tese, a julgar pela correcção do tiro - é uma responsabilidade exclusiva do Presidente da República enquanto Chefe de Estado. Não é uma competência delegável, como confere a Constituição da República de Angola. E nós abrimos a Constituição para sustentar a nossa tese, na altura.
Neste quesito, e porque nós apelámos à correcção do tiro no terceiro Estado de Emergência, devemos felicitar a humilde do cidadão João Lourenço que ouviu o nosso conselho e ontem, 24, veio dizer ao país, em viva voz, que temos o terceiro Estado de Emergência em Angola, bem como as razões que concorreram para tal medida, mesmo que discordemos de algumas medidas de excepção - isso é também motivo de outra análise.

No passado, não tínhamos um Presidente da República que ouvia/lia conselhos de cidadãos que escreviam nas redes sociais, que não estivessem ao seu lado a governar ou que não fossem militantes do MPLA, como é o nosso caso.

Isso é claramente uma novidade na postura de um Presidente da República em Angola e mesmo em África, onde as lideranças são geralmente pouco flexíveis. João Lourenço dá aqui sinais claros de pretender mudar positivamente a história de Angola, mesmo que esteja a cometer erros no seu trajecto.
Sentimo-nos, como é óbvio, honrados pelo facto de o Chefe de Estado João Lourenço ter mostrado que é capaz de recuar a sua postura para corrigir o tiro, sem receios de interpretações erradas sobre a sua autoridade e idoneidade, longe de posturas de líderes na oposição que tudo fazem para sustentar mentiras e crimes que prejudicam Angola, colocando interesses pessoais à frente do país, por não terem capacidade para corrigir tiros mal dados, chegando mesmo ao ponto de arranjar desculpas esfarrapadas para sustentar os seus crimes.

É importante sublinhar que nenhum de nós (humanos) está isento de erros. Somos todos falíveis e mortais. Todos nós cometemos erros, em várias vertentes, quase todos os dias. O que nos difere, entretanto, é o nosso carácter. É a forma como lidamos com os nossos próprios erros.

Isto é para dizer que o gesto de recuo de João Lourenço, para corrigir o tiro, nos dá, claramente, enquanto defensores da pátria acima de interesses de grupos, força para continuar a escrever para o bem de Angola, acima de interesses inconfessáveis.

Sempre dissemos que maus conselhos que levam o Presidente da República a erros, com alguma gravidade, saem de pessoas que o rodeiam. É nossa convicção, pelos sinais que vemos, que o cidadão João Lourenço pretende fazer sempre melhor enquanto for Presidente da República.

As correções de vários tiros no passado já nos provaram que João Lourenço está sempre à procura da perfeição para obter os melhores resultados possíveis para o país. E isso conforta-nos, como é óbvio, pois somos também inconformados com os erros que andámos a cometer durante muito tempo.

Esperamos, portanto, que o cidadão João Lourenço mantenha essa humildade de carácter em conseguir assumir e corrigir publicamente os seus erros sem medo de ninguém, uma vez que pior do que errar é persistir no erro por mero orgulho barato, prejudicando uma Nação inteira, ou um partido, por decisões que podem ser recuadas, repensadas e corrigidas para se salvaguardar o BEM MAIOR: OS INTERESSES DE ANGOLA, ACIMA DOS INTERESSES DE PARTIDOS POLÍTICOS.

Obrigado por nos ter "ouvido" e por ter acatado o nosso humilde conselho, senhor Presidente da República João Lourenço. Assim, pode contar connosco.

Carlos Alberto (on facebook)
25.04.2020

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